(Renato Russo - Scrivimi)

Eu
Jackie
06.08.72
leonina, paulistana,
no Japão mas
voltando já...

Felicidade:
Brasil,
família, amigos,
poesia, pamonha,
sonho de padaria,
caldo de cana,
comprar roupa,
sessão de cinema
na Gazeta à tarde,
meu pai e seu violão,
Museu do Ipiranga,
São João sexta à noite,
internet, patins,
música.

Sonho:
visão perfeita,
massoterapia,
violão, trabalho.

Pesadelo:
alergia, dentista,
morte, barata,
Faustão, pagode.

Amigos

Tudo para seu Blog!!!

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Terça-feira, Março 30, 2004

Meu Reino (Biquini Cavadão)

Atrás da porta guardo os meus sapatos,
Na gaveta do armário coloco minhas roupas,
Na estante da sala vejo muitos livros,
E a geladeira conserva o sabor das refeições,
Minha casa é meu reino.

Mas eu preciso de outros sapatos,
De outras roupas, outros temperos...
Para formar minhas idéias e meus sentimentos.
Eu sou a soma de tudo o que vejo,
E minha casa é um espelho
Onde a noite eu me deito e sonho com as coisas mais loucas
Sem saber porquê

...



Perdoem hoje a minha falta de inspiração... Resolvi postar uma letra de música. Se alguém reparar que está incompleta, está sim... Porque resolvi postar apenas a parte que me interessa...


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Sexta-feira, Março 26, 2004

Meu filme

Hoje assisti novamente "As Pontes de Madison"... Acho que é meu filme preferido. Acho não. Tenho certeza... Deve ter muita gente que detestou, achou parado, monótono demais... Mas prá quem realmente prestou atenção e tem ainda um restinho de sensibilidade na veia, é um belo fillme. Não preciso nem dizer que me faz chorar feito uma desvairada. Minhas lágrimas começam a rolar junto com a chuva que cai numa cena que , prá mim, é uma das mais angustiantes que já assisti. Volto a fita uma, duas, três vezes, prá ver aquela chuva caindo, ou então esperando que o final seja diferente. E sofro junto com as personagens ... Assistam pra saber.


"Por um instante, não sabia onde eu estava. E me ocorreu a idéia de que,
de fato, ele não me queria, que era fácil ir embora...
... Robert se curvou como se fosse abrir o porta-luvas. 8 dias antes ele tinha
feito isso e seu braço roçou minha perna. Uma semana antes, eu comprava um vestido novo...
... As palavras estavam em mim. 'Eu estava errada. Estava errada em ficar, mas não
posso ir. Deixa-me explicar porque não posso ir. Diga-me de novo porque devo ir'.
Ouvi sua voz respondendo: 'Essa certeza só ocorre uma vez na vida' ".

(trecho de Franscesca, personagem de Meryl Strep no filme)




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Quinta-feira, Março 25, 2004

Como eu ...

... queria poder tomar sol à vontade, sem alergia...
... queria ver o mundo como a maioria das pessoas vê: sem óculos ou lentes de contato...
... queria ser a Angela Anaconda por uma semana...
... queria ser amiga íntima da Fernanda Young...
... queria ser astronauta pra poder ver a Terra de longe um dia...
... queria ter visitado a Fantástica Fábrica de Chocolates de Willie Wonka enquanto era criança...
... queria saber lutar judô e dar uns golpes no Romário...
... queria saber lutar jiu-jitsu e dar uma surra no George Bush...
... queria nascer uma vez no Hawai...
... queria ter um All Star azul, e morar no décimo segundo andar de um prédio no bairro das Laranjeiras...



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Quarta-feira, Março 24, 2004

Tempo Ruim...

Tem dias em que o céu adivinha... Comigo é assim: às vezes o céu me adivinha.
São dias em que seria melhor nem levantar da cama pra não ter que ver o tempo passar tão devagar... tão longo... tão pesado.
As nuvens descem e vêm pairar sobre a minha cabeça. Estão aqui agora... Dezenas delas... Dentro da minha casa... Na minha sala... Enquanto escrevo. E tanta nuvem junta, em tão pouco espaço, faz chover. E está chovendo aqui. Uma chuva salgada... Aparentemente leve, mas que inunda... Pode inundar tudo. Já está inundando... Nada escapa. Nem meus pensamentos.
Queria um guarda-chuva que me colocásse pra fora do mundo, de vez em quando, e me fizesse dormir... Um guarda-chuva à prova de saudade e melancolia... Queria apenas um guarda-chuva...
Deve haver um lugar onde pessoas como eu descansam com seus guarda-chuvas... Um lugar onde o Sol expulsa todas as nuvens...
Dias atrás o Sol estava lá fora e nem me dei conta. Só percebo agora, depois que ele se foi. Mas não vou desanimar. Prá que as coisas mudem, basta um segundo... Num segundo o tempo pode abrir e interromper a chuva. E meu dia ainda não acabou... Tenho chance ainda que o Sol apareça e contrarie todas as previsões meteorológicas, porque o meu Sol é imprevisível... como eu.




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Segunda-feira, Março 22, 2004

O que eu queria de volta

Por quê tenho pensado tanto em satisfação? Em vida realizada? Em felicidade plena? Cada vez me convenço mais de que felicidade tem muito a ver com o verbo "estar" e nada com o verbo "ser". Olho pra mim e me vejo esperando sempre mais da vida. Por quê é difícil contentar-me? Do alto dos meus trinta e um anos não deveria saber que não se pode ter tudo? Quando lembro da minha infância, e comparo a menina que fui antes com a mulher que sou hoje, fica evidente a diferença no modo de ver as coisas que me cercam.
Fui uma criança humilde. Nunca passei fome nem fiquei sem ter onde dormir ou o que vestir... Mas também não tive o luxo (prá mim era luxo...) de ter um quarto só pra mim, ou bonecas que andassem, falassem ou fizessem, sei lá o quê, sozinhas... E o que eu tinha me bastava. Tinha amigos e brincava com eles: os filhos dos vizinhos que moravam no cortiço ao lado. Crianças de pé no chão e nariz escorrendo... E acreditem ou não, eu era rica perto deles. Aprendi com eles a dividir meu pedaço de pão e meu picolé. Aprendi que o que era de um podia ser de todos. E que as árvores do fundo do quintal da minha casa eram mais interessantes que qualquer outro brinquedo fabricado pela mão humana.
Comi pitanga estragada, goiaba bichada e amora suja de terra... Dividi bala, pirulito, bolacha Maria e o que mais aparecesse. Subi em muro, telhado, árvore, tampa de poço... Pisei em prego enferrujado, caco de vidro, lesma e taturana... Tomei picada de abelha e marimbondo, mordida de cachorro, arranhão de gato... Apanhei de mão, chinelo, cinta, cipó... Brinquei de casinha, carrinho de rolimã, pipa, mãe da rua, médico, salada mixta... Esfolei o joelho e o cotovelo mil vezes andando de bicicleta, e sujei minha roupa deitando no chão pra ver as nuvens ou as estrelas... Cacei e abri ovos de lagartixa escondidos nos buracos das paredes do quintal... Acendi bituca de cigarro jogada no chão e fumei por curiosidade... Me apaixonei na terceira série pelo menino que sentava comigo na carteira dupla só porque o braço dele encostava no meu enquanto escrevia, e nunca esperei que correspondesse ao meu afeto.
Na escola fui boa aluna: sempre a menina de maria-chiquinha que tinha que sentar lá na frente por causa dos óculos (necessários desde os três anos de idade), prá conseguir ler tudo direito. Minha escola não tinha cantina e todos comiam o macarrão, a sopa, o pão com chocolate quente ou o arroz doce da merenda... E ninguém reclamava. Os meus amigos da vizinhança estudavam lá comigo. Íamos e voltávamos juntos fazendo planos para a tarde.
Eu e meu irmão, um ano mais novo, viviamos feito cão e gato, brigando, mas nenhum tinha dúvidas sobre a lealdade do outro. Éramos cúmplices em tudo, graças a Deus.
E por falar em Deus, minha relação com Ele era muito mais simples. Eu não precisava ir à igreja ou passar horas recitando palavras decoradas para que me ouvísse. Bastava falar com Ele antes de dormir, ou mesmo dormir enquanto falava com Ele... E eu sempre pedi pouco. Havia algo que sempre estava em minhas orações: eu queria que Deus desse vida eterna a todas as pessoas da minha família, inclusive eu. Pedia que nunca ninguém tivesse que morrer, e felizmente Ele foi bondoso comigo. Quando o primeiro parente mais próximo faleceu, eu já tinha vinte e um anos. Parece que Ele esperou que eu crescesse e entendesse o que é a morte pra depois começar a levar os meus.
Amor era apenas mais uma palavra difícil de explicar... E sem querer, eu sabia tudo sobre ela... Mesmo sem ler ou escrever direito.
Minha vida ficava completa com um sábado no circo do bairro, Transfer, Spectroman, O Elo Perdido, bolo Pulman, cabana de folha de bananeira, doce de abóbora, bala puxa-puxa feita escondida da mãe, ki-suco, Sitio do Pica-pau Amarelo, almoço de domingo na casa da Dinha (minha avó querida), música de Roberto Carlos, álbum de figurinha, Baré Cola e bolha de sabão.
Hoje me pergunto onde foi parar essa menina e todas as coisas que ela aprendeu com as crianças do cortiço e da escola? Porquê não consigo me sentir como ela? Porquê tenho que lavar tanto minhas mãos e pentear tanto os cabelos? E prá que me preocupar com a roupa que devo usar aqui ou ali? Ela nunca pensou nisso, nunca se importou com isso...
O tempo muda a gente. O mundo muda a gente. A vida muda a gente. Apesar de tanta mudança, espero apenas não perder a lembrança de todas as coisas boas e ruins que vivi na infância. Pode ser que algum dia a menina retorne e queira seu lugar de volta...


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Sábado, Março 20, 2004

Grandes e Dispensáveis Diálogos Matinais

Eu: - Você "comeu" aquele restinho de café que estava aqui no armário?
Ele: - Ah.. "comi "sim... mastiguei todos os grãos e depois bebi água quente por cima...




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Quinta-feira, Março 18, 2004

A Procura

As lágrimas não cabem mais nos olhos,
A dor não cabe mais no coração.
E o grito que hoje ecoa na garganta
Carrega uma angústia que espanta,
Carrega uma angústia que aponta
Seu dedo imaginário em toda direção
Procurando resposta pra uma só questão:
- Onde está o Amor?

Se puder investigar no dicionário:
Bondade, brandura, indulgência,
Serenidade, candura , paciência,
Desprendimento, respeito, afeição...
Amizade, desvelo, harmonia,
Solidariedade, cortesia...
Não esqueça de buscar o necessário,
O que mais completa teu vocabulário...
E depois se una ao dedo imaginario:
-Onde está o Amor?

Pode ser que ninguem veja a resposta
Porque a busca está na direção oposta
Do lugar onde transita a esperança:
A que vive ainda num sonho de criança,
A que nunca se abate nem se cansa.
E ela vai tentar achar a solução
Revirando o espaço que lhe cabe,
Esse espaço que ocupa o teu peito,
E ao se deparar com o dedo imaginário,
Irá contar que o mundo ainda tem jeito...
Que a resposta está aqui mesmo
Nesse músculo que bate tão perfeito
Escondido junto a ela no teu peito

Basta olhar pra dentro com atenção...
Basta ter no corpo um coração...
Deixar que ele revele o que mais se quer ouvir:
"Você procurou por tanto canto, aflito,
E o amor esteve o tempo todo aqui..."


.:. É mesmo uma caixa de surpresas em efeito cascata essa vida... Se não fosse a moça visceral cruzar o meu caminho falando tanto de um tal clip, esse poema não seria escrito hoje... Quem sabe amanhã alguém entre aqui, leia essas linhas e sinta, como eu senti, um desejo incomodo de tentar resolver com palavras os problemas do mundo... Grande pretensão! Mas uma "bem intencionada" pretensão... E uma pretensão assim pode ser um bom começo...


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Segunda-feira, Março 15, 2004

A mão que cuida da vida...

Há algum tempo venho reparando na palma da minha mão esquerda...
De um ano pra cá, uma pequenina pinta marrom vem se fazendo notar bem no centro dela. Nunca soube de ninguém que tivesse sido acometido por uma nova pinta após a idade adulta, muito menos na palma da mão... Na verdade, sempre acreditei que as pintas nascessem conosco e fossem se revelando durante a primeira infância. E agora essa... Que nunca esteve aqui... E porquê só agora, após meus trinta anos ? (tenho trinta e um). Estéticamente, até que é favorável. Quem por aí pode se dar ao luxo de exibir uma pequenina manchinha no centro da mão?
Existe a crença de que o traçado das linhas das mãos podem revelar muito do futuro de cada um... Particularmente, nunca fui de me interessar por tal assunto, mas devo admitir que depois de perceber a nova pinta, tenho me aventurado a imaginar o quê, de fato, esse "sinal" pode estar representando... Já pensei em cada absurdo que fico até acanhada...
Minha pequena mão esquerda... Canhota somente com canetas... A mão da aliança e do relógio... E agora marcada prá sempre.
Pode ser o prenúncio de algo bom que não estava reservado prá mim, mas que por algum motivo divino, agora me pertence... Ou pode ser também o contrário (toc toc toc na madeira...).
É uma questão ridícula (sei disso...), mas que irá me incomodar em cada vez que eu fixar meus olhos na minha mão aberta... Que seja por um bom motivo então... Certamente, jamais saberei dele com a convicção de quem conhece os desígnios de Deus (existe alguém assim?... ). Só me resta deixar por isso mesmo... e tomar mais uma xícara de chá...


"Reparo agora nas mãos:
As mãos que nasceram comigo
Tratadas e bem definidas,
Pequenas e sempre perdidas,
Mas não menos úteis por isso...

Tenho sim um apego por elas,
Tão simples e tão resolutas...
Na vida, amigas sinceras...
Na morte, desvelo sem culpa,
O enlace de alguém já omisso..."




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Quinta-feira, Março 11, 2004

Meu vento bom...

Hoje precisei ir ao Convinience Store. Prá vocês seria como "dar um pulo na padaria". Calcei meu tênis surrado e fui, pensando na vida, como sempre. Ao descer as escadas me surpreendi com o vento agradável que batia no meu rosto. Há tempos não sentia um vento assim. Foi a primeira vez esse ano. Sentir um vento que não carrega o tom pesado do inverno é gratificante prá quem passou os últimos cinco meses alternando camadas de tecidos sobre a pele. Um inverno longo e rigoroso pode esfriar muito mais do que tudo o que é tangível. As ruas, que já não são tão movimentadas, ficam mais vazias.O dia escurece mais cedo. O Sol parece mais tímido. Não vejo muita alegria no inverno...
Aquele vento, meu primeiro vento de primavera desse ano, trouxe coisas boas ao meu pensamento. Se ele fosse uma música , seria "Mother Nature's Son", cantada por Sheryl Crow...
Parei prá ver os homens construindo uma casa a poucos metros de onde moro. Há dias suas marteladas diúrnas incomodam meus ouvidos. Mas hoje não... Aquele vento me fez olhar prá cada um deles e "percebê-los"... Imaginei suas esposas e filhos em casa... E cinco segundos pensando nisso pareceram uma eternidade... Ví o velho atravessando a rua... A garota na bicicleta vermelha... O homem passeando com seu cachorro teimoso... E pensei em todos eles por novos poucos segundos...
Voltei prá casa com aquele vento. Sendo abraçada por ele. Registrando a sensação de calma que me trazia. Quando tranquei a porta, o vento tinha ficado lá fora... Mas me dei por satisfeita. Tenho consciência agora de que nos próximos meses ele estará lá me aguardando... E me acompanhará caso eu precise comprar algo na "padaria"... E irá, novamente, me mostrar coisas boas... Basta que eu esteja disposta a enxergá-las com ele...


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Quarta-feira, Março 03, 2004

Frase do dia: " O mundo não gira ao redor do seu umbigo."


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Segunda-feira, Março 01, 2004

Loneliness (Annie Lennox)

Loneliness
Is a place that I know well
It's the distance between us
And the space inside ourselves
And emptiness....
Is the chattering in your head
It's the call of the living
And the race from life to death
Woa, and I know
Yeah, and I know
What you feel...

Hopelessness
Is the darkness in your heart
It's the sound of one hand clapping
While it's pulling you apart
Woa, and I know
Yeah, and I know
What you feel... I know what you feel, baby, now...

And
I've got a longin'
That's hard to find
Won't give me no peace of mind
Something that I've lived with all along
Days and weeks and months and years
Filling in the time, my dear
Tryin' to find the place where I belong

And
I got a hunger that's
Hard to fill
Driving me on overkill
Tellin' me that everything's gone wrong
Got me a need
That I can't break
More than I can hardly take
Somehow I still keep on going strong

When I call your name
I'm gonna scream out loud
I'll say...
"here I am standing in the crowd"
You'll say "come to me"
With your open mind
you never know
What you still might find
But you keep me here
Like a cancelled flight
An empty train
Running through the night
An orphan child
A broken shoe
And I'm still down here
Looki' out for you
Are you there for me?
'Cause I'm here for you...


.: eu sei que não costumo postar letras em inglês, e meu inglês nem é tão bom pra isso... mas essa música eu entendo... e tem sido difícil escapar dela, escapar do que ela diz... não sei se me entendem... só sei que ela me diz muito.


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