Eu
Jackie
06.08.72
leonina, paulistana,
no Japão mas
voltando já...

Felicidade:
Brasil,
família, amigos,
poesia, pamonha,
sonho de padaria,
caldo de cana,
comprar roupa,
sessão de cinema
na Gazeta à tarde,
meu pai e seu violão,
Museu do Ipiranga,
São João sexta à noite,
internet, patins,
música.

Sonho:
visão perfeita,
massoterapia,
violão, trabalho.

Pesadelo:
alergia, dentista,
morte, barata,
Faustão, pagode.

Amigos

Tudo para seu Blog!!!


Domingo, Abril 25, 2004


por Sebastião Salgado

Vi uma imagem hoje.
Uma imagem que encontrei casualmente, por aí...
E foi impossível não me sentir mal pelo que sou e pelas lamentações que tenho feito...
Foi impossível olhar pra mim e não me ver pequena e egoísta.
Pensei com a tal imagem... "Poderia ser eu a mulher a posar para a foto com seus dois filhos famintos... Graças a Deus não sou eu... mas quem é ela? E porquê ela tem que passar por isso e eu não? Por quê eu posso estar aqui hoje vendo meus filhos crescerem com tantos brinquedos, enquanto os filhos dela diminuem com fome? Que privilégio é esse que está me fazendo sentir culpada pela má sorte dela? Que critérios determinam o destino de quem nasce aqui ou lá? O quê ela fez de tão ruim pra hoje viver assim e o que eu fiz de bom pra merecer estar aqui agora?"...
Talvez o acaso que me fez encontrar a imagem seja o mesmo responsável por ela estar hoje onde está... E os que submetem sua vida à uma escravidão materialista e carregada de desperdício deveriam prestar atenção nessa foto... Assim como deveriam prestar atenção nela também os de mente preconceituosa e arrogante... Os que julgam seus semelhantes pelo credo, classe social, cor da pele, opção sexual, origem , etc. Poderiam ser eles agora ali, com suas pernas tão magras e sem força ... Com a garganta e o coração secos... Com a vida resumida à busca por um pedaço de pão... Poderiam ser eles... Poderia ser eu... Poderia ser você...






Sábado, Abril 17, 2004

Meu copo pessoal

Às vezes, leio ou ouço coisas que, de certa forma, fazem com que me sinta uma incapaz... Mas não é uma incapacidade negativa, apesar de incomodar como se fosse. É um sentimento estranho que me enche.. Como se antes de ouvir "aquela música" ou ler "aquela poesia" eu fosse um copo vazio... Um copo vazio... E depois tivesse todo o meu espaço ocupado. Emocionalmente ocupado...
Mas quando o copo se enche, acontece de um modo violento e sem freio. Transborda. Por isso é difícil pra mim... Por isso a incapacidade...
Eu sinto... E sinto tanto que não consigo organizar em palavras o que passa na minha cabeça num momento desses. Tenho que parar e deixar passar um pouco. E se eu me distrair, corro o risco de deixar passar tudo... Quando acontece, lamento duramente. E me toma quase que uma certeza de haver perdido a chance de escrever a melhor poesia ou o texto mais comovente e interessante da minha vida. Eu seria mais útil a mim mesma se em cada vez que meu copo se enchesse, tivesse habilidade suficiente pra esvaziá-lo de forma clara e satisfatória nas linhas do meu "bloco de notas". Seria também mais proveitoso se as lágrimas, tão comuns nessas horas, pudessem, junto com a água do copo, ser traduzidas em palavras. Só assim eu conseguiria dividir com todos tudo o que sinto.
Não posso dividir minhas lágrimas. Não posso dividir meu copo d'água. Só minhas palavras podem ser compartilhadas. Por isso peço que perdoem minha incapacidade. Já começo a discordar das primeiras linhas. Talvez não seja uma incapacidade tão positiva assim...

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Segue a música que me deixou incapaz nessa noite:

"Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou

Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou

E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar do seu jardim
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim."


("Os cegos do castelo" - Nando Reis)







Domingo, Abril 04, 2004

Muitas coisas...

Alguns dias sem blogar e fico agora sem saber sobre o quê escrevo primeiro. Muitas coisas ao mesmo tempo.


Domingo passado foi um dia especial, até antes do anoitecer (mas não quero lembrar do que aconteceu depois disso... vou falar do que me agrada...). Fui ao parque levar os pequenos e aproveitei prá matar as saudades de algo que eu não fazia há pelo menos uns três anos: patinar... Por coincidência, encontrei uma amiga que também estava sobre rodinhas. Foi fácil... Desenferrujei rápido, mas preciso praticar mais prá voltar à antiga forma. Vale dizer que não caí nenhuma vez... Mas fiquei quebrada depois. Perdi o costume.


Não sei se já contei: estou voltando... em junho (finalzinho), e falta pouco. Depois de tanto tempo esperando esse momento (estou há quase nove anos aqui), achei que o único sentimento que teria, quando acontecesse, seria o de "alívio". Me enganei. Estou aliviada, mas não posso negar que junto com esse alívio vem um certo medo, receio, não consigo explicar... Sei que não vai ser fácil recomeçar a vida aí. Tento manter meus pés no chão, embora minha cabeça insista em subir até as nuvens, sonhando com tudo o que desejo realizar. Tento lembrar de como sempre foi enquanto eu ainda vivia aí prá ir me acostumando antes mesmo de chegar... Tenho boas recordações. Tenho grandes saudades. Isso tudo me ajuda na volta.
Difícil também é saber o que fica e o que vai. Não é como mudar do Ipiranga prá Vila Prudente... Vamos mudar de país. Vou ter que descobrir como colocar nove anos dentro de algumas malas. No máximo algumas caixas do correio... Quem sabe um container...


Quarta-feira fomos até Tokio, eu e meu marido, prá tirar o visto de trânsito na embaixada americana. Vejam isso: o nosso avião faz escala nos EUA. Parada de uma hora e meia , no máximo. Todos presos, vigiados por seguranças, num tipo de saguão reservado já prá esses casos. Pois bem... Agora, pra ficar presa no tal saguão do aeroporto, eu preciso desembolsar o valor de cem dólares gastos com um "visto de trânsito" que não me dá direito algum de pisar em solo americano. Sou obrigada a tirar o visto apenas prá descer do avião e esperar uma hora e meia antes de embarcar novamente rumo ao Brasil. Paguei, mas estou pensando em mandar a conta prá casa do Bin Laden. E acho mais: depois de tudo o que tem acontecido, eles é que deveriam pagar prá gente pisar lá...


Por fim, deixo o link do meu fotolog (é... resolvi aderir a essa nova moda...) Vou tentar atualizar sempre, afinal tenho o direito de postar apenas duas fotos por dia. Espero que gostem...


(E um refrãozinho grudou na minha cabeça)
"... E eu que já não sou assim muito de ganhar,
junto as mãos ao meu redor,
faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz."

(Los Hermanos - O Vencedor)