Lulu Santos/Certas Coisas

Eu
Jackie
06.08.72
leonina, paulistana,
no Japão mas
voltando já...

Felicidade:
Brasil,
família, amigos,
poesia, pamonha,
sonho de padaria,
caldo de cana,
comprar roupa,
sessão de cinema
na Gazeta à tarde,
meu pai e seu violão,
Museu do Ipiranga,
São João sexta à noite,
internet, patins,
música.

Sonho:
visão perfeita,
massoterapia,
violão, trabalho.

Pesadelo:
alergia, dentista,
morte, barata,
Faustão, pagode.

Amigos

Tudo para seu Blog!!!

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Quarta-feira, Junho 30, 2004

Embarco daqui a 12 horas e meia. Ansiedade agora é apelido... Espero voltar logo pra contar pra vocês como foi a viagem. O Dé vai dar trabalho (classe econômica é uma droga!)... Já chorei bastante e detesto despedidas por isso. É sempre difícil partir, muito mais prá alguém como eu. Enfim, cuidem-se e até breve. Um grande beijão prá todos.

Obs.: estou escrevendo do pc da minha cunhada (vai ser a pessoa de quem mais vou sentir falta daqui do Japão...)


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Terça-feira, Junho 01, 2004

Último post?!?... Nãããoooooo...

Aqui estou eu novamente, de madrugada, procurando as palavras certas pra ocupar esse espaço. Queria as palavras certas agora... Hoje não foi um dia muito bom , apesar de tudo. Talvez um "raio x" emocional revelasse melhor o que se passa dentro de mim nesse momento. A conexão com a net foi cancelada. Não dava mais pra renovar em vista da viagem que se aproxima. Creio que hoje seja o último dia e esse meu último post daqui desse apartamento
Vou ficar sem isso por uns tempos. Não sei quanto tempo ainda. Quero acreditar que será pouco. Sei que não sou dessas pessoas que postam com certa regularidade e que cuidam de seus blogs como cuidam de seus filhos. Ainda não aprendi a ser assim, e tudo o que tem acontecido ultimamente na minha vida , apesar de servir como inspiração às vezes, na verdade tem me empurrado pra fora dos limites do meu editor de textos. Às vezes me sento nessa cadeira (que obviamente vocês não conseguem ver..) e fico tentando rascunhar algo que me agrade ler postado aqui. Uma entre dez posso dizer que consigo... As outras nove tem feito eco lá no meu arquivo subconsciente de "escritos maravilhosos ainda não descobertos por mim".
Deus... até quando essa dificuldade vai continuar? Eu sei que como humana sou limitada, mas às vezes me flagro com pensamentos meio insanos (sem querer plagiar a GeSa). Penso que estou enferrujando por dentro. E no entanto sei que pra desenferrujar preciso da prática. Preciso escrever mais e mais.
Sou alguém que infelizmente ainda se importa muito com o julgamento alheio e me pego censurando meus textos por causa de uma ou outra pessoa.. Tenho refletido sobre como deixar de ser assim, ou pelo menos melhorar nesse aspecto. Reflexo da minha criação. Todos sofremos disso, tanto pro bem qto pro mal. Todos, cedo ou tarde, encontramos as pontas das flechas que foram lançadas lá na nossa infância pelo "papai e pela mamãe", ainda que involuntariamente, na direção das nossas cabeças. Reconhecer que acontece já deve ser um bom começo. Dá até pra pensar em tentar aposentar as tais flechas quando a batalha for contra nossos próprios filhinhos.
Mas voltando desse mergulho à idéia principal do post, quero dizer que vou sentir falta. Vou me sentir mais sozinha. Vou ficar mais tristinha nesses tempos sem net. Vou ver se não paro de escrever. A cada "copo cheio" abro meu bloco de notas e derramo tudo lá. Assim quando voltar, terei um arsenal de posts prontos e todos vocês folgarão em dizer por um tempo: "nossa... agora a Jackie está colocando um por dia!!! " (esclarecendo a ambiguidade da frase: um "texto" por dia...)
Não vou agradecer um a um pelos votos que sempre me dedicaram aqui sobre coisas que eu tenha escrito a respeito da minha vida. Agradeço a todos ao mesmo tempo e assim não corro o risco de ser injusta com ninguém. Talvez não dê pra fazer as visitas hoje. Nem amanhã... mas farei assim que pegar num pc novamente.
Um beijo enorme a todos os que me lêem aqui e fiquem bem. Quando eu tiver uma oportunidade, volto a postar.


.: Música do dia "Certas Coisas", Lulu Santos.


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Deixo agora algo que prá mim é bem mais que um poema... É praticamente uma oração.

Trecho de "Há metafísica bastante em não pensar em nada" - de Alberto Caeiro

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.







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