" Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal,
Eu finjo ter paciência.
O mundo vai girando cada vez mais veloz.
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber, a vida é tão rara!
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma,
Eu sei, a vida não pára...
A vida não pára não..."
(Lenine)
Haverá espaço nesse mundo pra os "corpos que pedem um pouco mais de alma"? Pra os que acreditam na possibilidade de mudar o mundo com seus bons pensamentos? Os versos acima me prenderam a essa reflexão. O mundo de hoje anda tão sem espaço, e as pessoas, igualmente, vivem sem tempo. Tempo e espaço: as duas engrenagens que fazem girar a roda da vida. Bem sabemos que a máquina do mundo não pára enquanto apreciamos a paisagem dos nossos sonhos ou ouvimos a música da nossa estória, mas é preciso que existam esses momentos. É preciso estacionar o carro de vez em quando pra fazer descansar o motor.
Muitos se conectam ao mundo da maneira mais racional possível, visando apenas a realização dos seus objetivos (quase sempre presos a um ideal materialista). E debocham de gente que se satisfaz com o mínimo. Quisera eu me satisfazer assim! Encontrar na simplicidade o suficiente para atender a todas as exigências do meu ser.
A riqueza mais importante, dizem, está na sabedoria. E não é a sabedoria dos livros e doutorados, mas a sabedoria da alma, da experiência de vida. O ponto que difere a luz divina da escuridão humana. Um indivíduo pode mal saber segurar um lápis e mesmo assim, ser capaz de atitudes admiráveis. Pessoas como esta entendem que a felicidade é uma eterna hóspede que vai e volta sem qualquer controle. Não é necessário, portanto, sentir falta dela. Basta aproveitar ao máximo sua presença e conformar-se com os momentos em que se faz ausente.
Seria perfeito um mundo onde o ideal de felicidade comum se resumisse em "fazer o outro feliz". A felicidade de um seria a felicidade de todos. Mas, enquanto isso não vem, continuemos assim: espremendo nossos momentos de emoção entre um sinal e outro dos semáforos, entre os gritos do vendedor da feira livre, entre um pedido e outro na lanchonete famosa da cidade. Vamos ter paciência com o mundo e esperar que o mundo nos retribua, porque a vida... ah... a vida não pára não...
.: Música do dia "Paciência", Lenine
por Jackie às 2:45 AM