Eu
Jackie
leonina, paulistana,
no Brasil
prá sempre...

Felicidade:
Brasil,
família, amigos,
poesia, pamonha,
churros, sushi,
caldo de cana,
comprar roupas,
sessão de cinema
sábado à tarde,
meu pai e seu violão,
Museu do Ipiranga,
São João sexta à noite,
internet, patins,
música.

Sonho:
visão perfeita,
massoterapia,
violão, trabalho.

Pesadelo:
alergia, imprevistos,
montanha-russa,
João Cleber.

Amigos

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Sábado, Dezembro 24, 2005

A todos os amigos de blog, um Feliz Natal...







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Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Retrato do meu quarto

Meu quarto é silêncio quando à noite eu chego.
De portas fechadas pro mundo, ele é todo meu.
É aconchego, é privacidade,
É todo o meu íntimo reservado num só espaço:
Meu quarto.

Esses quadros de "famosos" na parede
Entendem bem que, no meu quarto,
A estrela maior sou eu,
E por isso, limitam-se a olhar, sem opinar.

Meus objetos, meus dias... Todos guardados ali.
Meus prantos, minhas alegrias,
Foram todos destinados a viverem no meu quarto.

Fora dele, a história segue:
É família, é vizinhança,
É latido de cachorro quando passa alguém estranho.
Fora dele o tempo é instável:
à vez chove, à vez faz sol...
Mesmo dentro de casa, a tv não pára, o rádio não cala,
E eu, tranco bem a porta do meu quarto
Para que nada o invada,
Para que nenhum ruído incômodo escape de fora do mundo.

Me procuro no silêncio,
Me encontro no meu quarto...
E se um dia, por má sorte,
For condenada a viver encarcerada,
Me tranquem no meu quarto.
Nele permanecerei em silêncio...
E em paz.




Eu devia ter uns dezenove quando esse poema nasceu. E nasceu no meu quarto... Refúgio da minha vida, naquela época. Gostava realmente de me isolar ali e... confesso que não perdi o costume. É necessidade minha estar sozinha em certos momentos, à noite principalmente, quando creio que o pensamento é mais livre. Pelo menos o meu... E sendo mais livre, avista muitas possibilidades. Pensar sozinha (a madrugada é perfeita prá isso) ecoa na alma. Não é tão solitário, nem tão silencioso assim.
"Pensar incomoda como andar à chuva quando o vento cresce e parece que chove mais", concluiu Fernando Pessoa. Eu me agrado com esse incômodo. Peço andar à tempestade. Sofro às vezes, mas é uma das maneiras mais contundentes de sentir a vida.
Pensar é bom.

.: Música do dia "Canção do Lobo", Oswaldo Montenegro.




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Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Minha avó materna

O corpo era pequeno... Magro mesmo. E a pele, maravilhosamente enrugada, denunciava uma vida sofrida. Apesar da idade (os anos, ao certo, nem ela sabia), era dona de uma disposição que fazia inveja aos mais novos. E como gostava de cantar suas músicas de igreja, suas canções de ninar, enquanto realizava as tarefas de casa.... Tinha uma feição rude que contradizia sua forma carinhosa e caridosa de tratar os outros. Assim era minha avó materna.
Dona Joaquina foi nordestina por nascença, nunca abandonou sua terra natal e quando questionada sobre o fato de não vir morar em São Paulo como a maioria dos filhos, respondia decidida: "Vixi Maria,venho não. Isso aqui é frio demais".
Acreditava em Deus como se já o tivesse visto em pessoa. Acreditava no ser humano como se já o conhecesse em alma. E apesar das dificuldades, não negava assistência a ninguém, mesmo que a única coisa que tivesse a oferecer fosse uma reza a alguma criança febril ou vítima de mau olhado (era benzedeira).
Não tive muito contato com ela, a não ser nas poucas vezes em que foi possível visitá-la ou vice-versa. Apesar da distância, sempre soube que me amava. A lembrança mais intensa que tenho de minha avó retrata um de nossos poucos encontros. Eu já devia ter uns quatorze anos quando ela veio passar uns dias em casa. Numa das noites, ela chegou-se até mim e deitou minha cabeça em seu colo. Começou a contar uma história e depois cantou algo que deveria ser uma canção de ninar. No início senti um embaraço, mas logo achei engraçado e deixei. Só depois de adulta é que percebi a intenção daquele ato. Minha avó era sábia o bastante pra entender que eu não iria esquecer aquele instante nunca mais. Estava me dando de presente uma lembrança boa. Dessas que enchem o coração da gente de paz e os olhos, de lágrimas, ao mesmo tempo.
Adoeceu enquanto eu ainda estava muito longe. O coração fisicamente fraco e atacado pela doença do "barbeiro" não aguentou o peso da idade. Sua morte foi sofrida como foram boa parte dos seus dias, e duvido que ela tenha concluido isso. Cheguei a pensar nessa época que nada era justo. A vida era injusta, senão minha vózinha não teria morrido daquele jeito. Mas Deus é quem conhece as verdadeiras razões.
Quando Dona Joaquina finalmente "descansou" pude acalmar minha saudade com a lembrança daquele momento: minha avó cantou um dia pra eu dormir. E ela sabia o que estava fazendo...



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Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

Tenho desabafado com amigos, e isso é confortante.
Tenho lido sempre que possível, e isso é brilhante.
Tenho mantido a esperança à frente de qualquer decisão, e isso é otimista.
Tenho chorado, às vezes, até me faltar o ar, e isso é necessário.
Tenho controlado a impulsividade do meu sentimento, e isso é sábio.
Tenho dito por aí que o céu não desaba, e isso é óbvio.
Tenho imaginado situações pouco prováveis pra passar o tempo, e isso é tolice.
Tenho consumido chocolate além do costume, e isso é calmante.
Tenho feito caminhadas espairecedoras, e isso é, indiscutivelmente, saudável.
Tenho dado mais atenção à necessidade do meu corpo, e isso é revigorante.
Tenho percebido as paisagens ao meu redor, e isso é inspirador.
Tenho sido incapaz de manter minha paciência num nível normal e suficiente, e isso é lamentável.
Contudo, tenho me esforçado pra entender que sou apenas um ser humano que corre, inutilmente, atrás da perfeição, mesmo sabendo que ela não é desse mundo.
Que vive de lembranças, às vezes, mesmo compreendendo que o tempo não volta atrás.
Que tenta, ingenuamente, agarrar a felicidade, mesmo percebendo que ela escapa sempre, pra voltar amanhã sob outra forma, motivada por outras necessidades ou situações.
Sou normal... Graças a Deus.






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