Eu
Jackie
06.08.72
leonina, paulistana,
no Brasil
prá sempre...

Felicidade:
Brasil,
família, amigos,
poesia, pamonha,
churros, sushi,
caldo de cana,
comprar roupas,
sessão de cinema
sábado à tarde,
meu pai e seu violão,
Museu do Ipiranga,
São João sexta à noite,
internet, patins,
música.

Sonho:
visão perfeita,
massoterapia,
violão, trabalho.

Pesadelo:
alergia, dentista,
montanha-russa,
João Cleber.

Amigos

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Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

"Um Parênteses"

Como é morar nessa cidade?
Bem... morar nessa cidade é viver, antes de tudo, entre pessoas discretas. Os japoneses são assim em qualquer parte. Uma palavra exaltada, uma risada mais forte, chamam a atenção.
Há nove anos resido na mesma cidade. Desde que cheguei aqui, passei por quatro endereços diferentes. O último, um apartamento público, tento reconhecer como meu lar desde junho de 98. Inútil tentativa... Aqui me sinto como se estivesse de passagem, e é o que melhor define a situação. Não é fácil morar há tanto tempo num lugar e não fazer dele o "seu" lugar. Esse não é o meu lugar... No início me retraía com os olhares curiosos dos vizinhos. Uns cumprimentavam, outros não... Já não me importo mais. Eles que sejam felizes à sua maneira, me dando ou não seus "bons dias"...

As calçadas aqui são sempre vazias, não importa a hora. No máximo alguém de bicicleta, uma criança voltando da escola, ou algum morador passeando com seu cão. Aliás, devo explicar melhor esse último fato: "eles levam essa tarefa muito a sério. Tratam seus cães como verdadeiros membros da família e, diariamente, encontram tempo pra caminhar com eles".

Aqui, nós, os estrangeiros, representamos o terceiro mundo... o subdesenvolvimento... a falta de opção... Somos os invasores, apesar da ajuda que damos na construção e manutenção da "máquina" que é esse país (e como ajudamos... Meu Deus!!!). Seus olhares deixam à mostra um sentimento de que estamos sempre fazendo mais do que nos é permitido: quando comemos em seus restaurantes, quando frequentamos suas festas tradicionais, quando nos divertimos em seus parques com nossos filhos, quando nossos filhos lecionam em suas escolas...
Se nos elogiam parecem querer que reconheçamos nisso algo mais que um elogio, um ato de boa fé, talvez, ou um favor extremamente considerável , visto que nos consideram pequenos diante deles. E se espantam, quase que se ofendem, quando dizemos que não queremos ficar aqui pra sempre.
O materialismo que impera aqui é espantoso e contamina. Muitos brasileiros estão contaminados... Muitos se deixam entusiasmar pelas facilidades... Muitos se perdem nas inúmeras possibilidades e assim acabam perdendo, também, o caminho de volta ao país de origem. Se acostumam com o consumismo, com a comodidade financeira, e resolvem ficar. Alguns deles fingindo sempre que encontraram um lar. Eu não consigo acreditar neles. Que me desculpem, mas não consigo...
Outros gastam seus anos economizando o possível e o impossível... E partem com a esperança de conseguir manter, no Brasil, um padrão de vida semelhante ao que tinham aqui. Esses estão contaminados também, porque sempre acabam voltando... Voltam porque já não se conformam em ter que viver com as dificuldades do nosso país... Sentem falta de economizar novamente. E ficam nesse vai e vem. Perdem mais do que o caminho de casa. Perdem suas identidades, pois, já não pertencem a lugar nenhum e sofrem com isso. Conheço vários assim...

Enfim, pra maioria, estar aqui é como abrir um parênteses na vida. E prá que servem os parênteses, senão pra explicarem, justificarem, adicionarem algo à idéia principal: viver. Fechar o parênteses é continuar o curso real das coisas. Voltar ao que realmente interessa.
O meu parênteses está prestes a se fechar. E espero que seja de forma definitiva. Tenho como intenção pertencer a um lugar somente. As oportunidades que a vida nos oferece devem sim ser aproveitadas e agradecidas como presentes divinos. Mas não devem tirar-nos a essência nem afetar nossa identidade.


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Este texto foi escrito enquanto ainda vivia no outro lado do planeta. E apareceu num desses dias cinzentos , onde tudo o que se quer é um "ouvido"que aceite nossos lamentos. Ficou pesado, preconceituoso, admito. Mas resolvi não modificá-lo por achar necessário considerar os sentimentos presentes no momento em que ele foi escrito. E tirando o equívoco da generalização, não menti em absolutamente nada. Guardo comigo, é claro, ótimas recordações do Japão. Assim como tento recolher pra "debaixo do tapete" da minha memória, as más. Lugar nenhum é perfeito nesse mundo. Apenas me coincidiu estar lá no dia cinzento em que o texto nasceu. E é isso... Apenas isso.

.: Música do dia "Preaching for the End of the World", Chris Cornell.






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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Duvidar ou não... eis a questão!!!

Mudanças são benvindas e ao mesmo tempo assustam. Aguardar algo com ansiedade e depois experimentar a angústia gélida da incerteza quando esse "algo" finalmente acontece, assusta. O "benefício" (ou será malefício?!?) da dúvida vem pra todos. E cada um reage à sua maneira.
Melhor seria ter certeza de tudo. Melhor seria apontar o dedo sempre no caminho exato. Melhor seria falar sempre a frase ideal. Êpa, mas não somos deuses: certezas são raras, caminhos exatos confundem tanto quanto os errados e frases ideais podem importar pouco pra quem as ouve. Quem espera demais das pessoas e das situações, quase sempre "esfola o joelho" em previsíveis desenganos. Melhor esperar apenas o possível e dar um passo de cada vez. Isso não é pessimismo, é autopreservação. Respirar fundo antes de lançar-se em algo importante e esperado é como tomar fôlego prá vida. Se a dúvida é inevitável, relaxe e goze. Goze da dúvida como quem tenta decifrar "bula de remédio": a gente dificilmente entende o que quer dizer, mas sempre toma a dose necessária. Leia a "bula" da sua dúvida e depois confie na decisão que tomar. E se não der certo, ainda existe a maravilhosa possibilidade de tentar novamente de outra forma.
E, pensando bem, certezas completas, dedos infalíveis e frases ideais não serviriam pra nós. A monotonia da perfeição constante não seria benvinda. Errar, acertar, acertar e errar são instrumentos de aprendizado. O "perfeito" não teria o que aprender. Sem ter onde errar, também não acertaria. Existiria apenas. E existir é pouco prá quem deseja "viver". Quanto às mudanças?!? Ah... as mudanças continuam sendo benvindas.

.: Música do dia "Nada Sei", Kid Abelha.


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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Histórias de Sofia

Dia desses...
- Mamãe, deve ter um monte de ator e atora, né?
- Não, Sofia, não se diz atora. O certo é dizer atriz.
- E tem um monte, né, mamãe?
- Tem sim...
- Tem na tv...
- Tem na tv, no cinema , no teatro...
- No livro...
- Como assim, nos livros?
- Ué mamãe. Todo livro não tem um ator?
- Ah, já sei! Não se diz ator. O certo é autor. Todo livro tem um autor que é a pessoa que escreveu ele.
- E autor se escreve com "L" ou com "U"?
- Com "U": autor.
- Mamãe...
- Que é Sofia?
- Quando der, você treina essa palavra comigo?
- Autor?
- É...
- Prá que?
- É que daí quando tiver que falar Monteiro Lobato, eu vou dizer que ele é o autor Monteiro Lobato.
- Mas aí você pode dizer que ele é o escrit... Ah... deixa prá lá vai. Agora deita e dorme.



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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

Eu Apenas Queria Que Você Soubesse...
(Gonzaguinha)


Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira.

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto, flor do seu carinho.

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora
É se respeitar, na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé.

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a lida...


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Enfim, 2006...
É sempre bom começar um novo ano. Ter a esperança de que, "dessa vez", tudo será diferente. Sonhar, planejar, animar-se... Sim, é sempre um bom começo.
Pra esse ano, escolhi uma máxima famosa que, ultimamente, tem feito eco na minha consciência: "se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder." Preciso me corrigir em muitos aspectos pra alcançar meus objetivos. O simples fato de "ter objetivos", por si só, corrige boa parte da minha existência.
A lenta reconquista da minha fé, a consciência de alguns dos meus defeitos, a coragem e a disposição necessárias prá mudar o que estiver ao meu alcance... Correções mais que urgentes.
Minha fé "abalável" precisa ser reparada. Deus tem sido paciente comigo, e eu o agradeço por isso. Não quero duvidar mais. Nunca mais. O homem, em suas diversas doutrinas religiosas, tem a tendência de, "em nome de Deus", ditar regras que manipulam pensamentos e ações alheias. Isso atrapalha a fé. Tanta discordância e tanta incoerência acabaram me atrapalhando. Hoje, tento ouvir, antes de tudo, o meu coração. É aí que encontro a mínima percepção na busca da compreensão do que é certo e o que é errado. Quem melhor do que Deus pra saber da minha imperfeição?!? Posso continuar errando nas atitudes... E sei que continuarei. Só não quero mais deixar de acreditar.
...
Pro ano que se inicia, desejo a todos paz, saúde e fé... sempre. Que Deus esteja no coração de cada um providenciando aquilo que for mais necessário. E lembrem-se: " se não puderem fazer tudo, façam, pelo menos, o que puderem".



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