Tempestade
A tempestade cai com vontade
E leva das árvores as flores antigas,
Os frutos já perdidos,
As folhas soltas ao vento
A tempestade cai sem piedade
E carrega consigo toda poeira
Todo papel de bala, todo panfleto
Todo o lixo jogado ao relento
Pela janela sinto sua força
A bater contra o vidro
E chego a pensar, desvairada,
Que algum assunto queira ter comigo...
Abro a janela e permito
Que invada meu quarto sombrio.
Cá estou, de braços abertos,
Entre a cortina e o vento frio
Que antecede suas gotas
Mais forte cai a tempestade,
E chora percorrendo meu corpo.
Cá estou, nua, desarmada...
Meus sonhos, meus desejos,
Revelados sem o mínimo cuidado
Minha angústia mais profunda
Exposta nas lágrimas que,
Já não se sabem lágrimas ou tempestade
E misturam-se num grito.
Fatigada, fecho a janela.
Fica fora a tempestade
Mas deixa comigo um remanso
Enquanto, a tristeza, parte com ela...
por Jackie às 1:17 AM