Eu
Jackie
leonina, paulistana,
no Brasil
prá sempre...

Felicidade:
Brasil,
família, amigos,
poesia, pamonha,
churros, sushi,
caldo de cana,
comprar roupas,
sessão de cinema
sábado à tarde,
meu pai e seu violão,
Museu do Ipiranga,
São João sexta à noite,
internet, patins,
música.

Sonho:
visão perfeita,
massoterapia,
violão, trabalho.

Pesadelo:
alergia, imprevistos,
montanha-russa,
João Cleber.

Amigos

Tudo para seu Blog!!!

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Segunda-feira, Setembro 25, 2006



Não sei escrever sobre aquilo que não compreendo. Seu jeito de olhar me embaraça. Provoca minha timidez até as últimas. E eu tento fugir mesmo sem querer, sem saber porquê. Mas por quê se eu desejo? Se quando não está por perto tudo o que procuro é seu olhar afiado? Esses olhos que cortam fundo e descobrem em mim algo que eu não conhecia. Que eu tenho um "sentir" diferente desse que sempre imaginei ser o único. Um "sentir" acanhado e avesso ao que se costuma aprender por aí. Um "sentir" que é por você... Só por você. E que por ser diferente, me arrasta numa dúvida cruel e inflexível: você "sente" também?
Às vezes tenho certeza... A certeza apurada que os teus olhos confirmam. Mas não dura muito e a descrença congela meu pensamento. Talvez eu esteja enlouquecendo de solidão e nada disso faça sentido. Talvez teu olhar tenha me confundido e eu precise de um tempo a mais pra comprender o incompreensível... Eu não tenho mais tempo. A coragem que me invade nessas poucas linhas desaparece quando te avisto à minha frente. Tenho um "sentir" sem coragem e sem futuro. O que nasceu aqui não vinga... Não há como alimentar um "sentir" dessa espécie sem que haja tempo... Eu "sinto" muito.


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Domingo, Setembro 17, 2006



Tão raro encontrar alguém com paciência suficiente pra parar a vida um instante e derramar um pouco de si em palavras escritas. O meu coração vive muito por "entre linhas". Está sempre tentando encontrar uma maneira de se encaixar num cantinho aqui, num pedacinho ali... Seja com palavras minhas ou emprestadas, ele costuma achar seu lugar.
Deus me perdoe, mas não consigo compreender essas pessoas que passam pela vida sem saber o que é sentir um texto com o coração. A mim, que não compreendo, fica a sensação de que lhes falta algo. Um coração não pode ser preenchido só de sangue. O plasma da poesia é indispensável, ou pelo menos deveria ser. Infelizmente, grande parte dos corações que encontramos por aí, limitam-se a trabalhar feito músculos condicionados. Hamsters de laboratório. Difíceis de penetrar.
O desinteresse pela leitura e, consequentemente, pela escrita, pode apagar páginas extraordinárias da vida antes mesmo que essas sejam grafadas. É como perder algo precioso que deveria ficar logo ali, ao nosso alcance, mas que por descuido nosso, nunca conseguiu estar.


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Sábado, Setembro 02, 2006



Esquecimento

Há muita tristeza no esquecimento.
Não no esquecimento de quem esquece, mas no esquecimento de quem é esquecido.
Ser vítima do esquecimento é perambular num espaço que já não existe.
É ensurdecer no silêncio absurdo de um telefone que não toca mais.
É esperar nove meses por um parto vazio.
É ficar preso no segundo exato do relógio em que a porta do trem se abriu e ninguém desceu.
É ficar invisível, simplesmente.
Contra o esquecimento não há o que dizer, não há o que entender, não há o que fazer.
O esquecimento é impassível ao amor, à alegria ou à dor.
O esquecimento não conhece espaço nem tempo.
Não tem controle, nem vontade.
Bate no tempo sem piedade, ri do espaço, devora o momento.
Cruel e inevitável... Só o esquecimento.


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