Esquecimento
Há muita tristeza no esquecimento.
Não no esquecimento de quem esquece, mas no esquecimento de quem é esquecido.
Ser vítima do esquecimento é perambular num espaço que já não existe.
É ensurdecer no silêncio absurdo de um telefone que não toca mais.
É esperar nove meses por um parto vazio.
É ficar preso no segundo exato do relógio em que a porta do trem se abriu e ninguém desceu.
É ficar invisível, simplesmente.
Contra o esquecimento não há o que dizer, não há o que entender, não há o que fazer.
O esquecimento é impassível ao amor, à alegria ou à dor.
O esquecimento não conhece espaço nem tempo.
Não tem controle, nem vontade.
Bate no tempo sem piedade, ri do espaço, devora o momento.
Cruel e inevitável... Só o esquecimento.
por Jackie às 3:32 AM