Faz tanto tempo que eu não páro pra escrever... Nem prá você, nem prá ninguém. Será que eu consigo passar de poucas linhas, amor?
Hoje tá doendo até dizer o teu nome.
Tá doendo lembrar do teu beijo, do teu cabelo desarrumado, do teu olhar fixo em mim, da tua voz no meu ouvido.
Tá doendo respirar, dormir, pensar, chorar. Tudo o que eu fizer vai doer.
Depois que eu te conheci acho que desaprendi a ser só eu.
Eu não sou mais só "eu". Sou "eu" e sou também o "seu amor". Esse amor que tanta gente procura e acaba "dando com a cara na porta, batendo com a cabeça na parede". Esse amor que "precisa" fazer bem, "precisa" alimentar e ser alimentado,
"precisa" de cuidado, "precisa" de tempo. Sem isso tudo o amor vira agonia. Fica irritado, impaciente, caprichoso, insolente.
Hoje o meu sentimento tá tão aflito que nem dá pra explicar. Teu suposto desânimo bateu "em cheio" na minha saudade. Tenho passado esses dias
esperando que você esprema essa sua vida pra encontrar uma brecha onde eu possa me enfiar. Eu e o "teu amor". Não seria perfeito, mas bastaria pra mim, por enquanto. Só que tem o seu "desânimo". Você quer uma vida com "café da manhã na cama", "passeio no parque", "almoço em família" e "flores no portão". Isso eu não posso te dar. Sabe o que eu acho? Nem você pode "se dar" a isso... Mas quem sou eu pra falar? Ah... Lembrei... Eu sou o motivo do seu
desânimo. Eu e os quinhentos problemas que vêm comigo.
Precisa ser um amor muito grande pra resistir, né? Ou precisa ser muito grande quem sente esse amor. Eu sou grande. Eu sou GIGANTE. Eu sou maior do que você. Já disse uma vez e repito: sou capaz de passar anos dormindo abraçada a um travesseiro se isso me garantir o prazer da tua
"limitada" companhia. Só que a tua companhia não tem sido limitada. Tem sido quase impossível. E não é porque eu ganhei um "vizinho novo", ou porque
"X e Y" falaram alguma coisa, ou porque "vieram cortar a tua árvore" ou porque "alguém menstruou". É por causa do desânimo. . Ou a distância é muito longa. Dá trabalho chegar até aqui pra ir comigo a algum lugar. Eu disse esses dias que tá tudo desandado e você discordou. Eu disse meio que "da
boca prá fora" porque passou logo. É só você acenar... que passa. Mas agora eu começo a acreditar.
Apesar de não ter decidido muita coisa, eu tento ocupar o máximo de tempo que puder contigo. Porque você tem sido, sim, uma razão forte pra eu continuar lutando. Tudo ainda é muito novo prá mim. Você cresceu na certeza de quem era e do seu sentimento. Eu to descobrindo quem eu sou de verdade agora, aos trinta e cinco. Tem um furacão passando na minha vida. Cada dia é uma luta e uma vitória. Cada beijo dos meus filhos, cada telefonema seu, é uma injeção de ânimo. Eu tenho por quem lutar. Se um dia sobrar só eu e a minha "vidinha", pode mandar me enterrar. Ou melhor, a solidão se encarrega disso. Ela já me enterrou uma vez.
Se você decidir que não quer mais... Paciência... Vai ser um "tiro"... mas paciência. Talvez eu até faça um "drama" como você costuma chamar. Isso aqui
tudo já é um drama mesmo.
Agora, se você decidir que quer continuar, terei enorme prazer em sair contigo, te "amarrar com as minhas pernas" e te amar até a gente não conseguir mais levantar da cama,
Só mais uma coisa: se você quiser prometer qualquer coisa, promete com o teu coração, e não só com a tua boca. O teu coração não vai falhar
comigo... Ele me ama.
Beijo.
por Jackie às 2:17 AM